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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Bichos Escrotos

Aquele reality show já estava perdendo a graça. Na verdade, já tinha perdido a graça há tempos. O país não agüentava mais aquele formato desgastado de programa, no qual estranhos ficavam confinados em uma mansão, chorando as pitangas para que a população tivesse compaixão e escolhesse o, aparentemente, mais sofrido pra ganhar a bolada de um milhão de reais. Os patrocinadores estavam a ponto de romper contrato. Aquilo que era para ser atração de horário nobre estava perdendo audiência para canais religiosos e de venda de produtos miraculosos, como a cinta que faz você emagrecer 30 quilos em um mês. E corria um boato na emissora que a cabeça de Otelo, o diretor do programa, estaria a prêmio.

- Não podemos continuar com esse programa do jeito que está, Otelo! A audiência está despencando, os patrocinadores querem nos comer vivos e ainda falta mais da metade do programa. Ou você arruma uma solução para isto, ou eu demito você e dou um fim nesta porcaria que você chama de reality show.
- Também não é assim, há 10 edições que o programa é exibido e sempre fez muito sucesso.
- Durante 60 anos eu também fiz muito sucesso, mas chegou uma hora que broxei. O ibope do programa está igual o meu pau. Não há Cristo que o faça subir.
- Senhor, até o final do programa a audiência vai subir mais que rojão em festa de São João.
- Pois trate de arrumar um Viagra logo pra essa audiência, caso contrário a única coisa dura aqui será o meu pé na sua bunda.

Otelo saiu da sala do chefe cabisbaixo, pensando em como conseguiria mudar o formato do programa e reconquistar a audiência. Pensou em colocar os participantes num ônibus e fazer um programa itinerante pelo país, mas isso já havia sido feito por outra emissora. Pensou em colocar alguns famosos juntos na casa, mas isso também já havia sido feito. Pensou até em colocar alguns animais, mas nada era novidade. A televisão estava saturada. E Otelo também estava ficando saturado de tudo aquilo.

Chegou em sua casa e se trancou no quarto, procurando uma alternativa nunca antes utilizada na TV brasileira. Sua atual esposa Mariana, 20 anos mais jovem e participante da primeira edição do programa, pouco poderia lhe ajudar. Mariana era desprovida de plenas faculdades mentais. Era incapaz de mascar chiclete e passear com seu cachorro pela orla da praia, ao mesmo tempo. Otelo sofria com isso, mas gostava de exibir Mariana nas festas importantes.

- Otelo, você nem falou comigo. Te esperei pra jantar e você se tranca no quarto?
- Mariana, estou trabalhando. Pode jantar que depois eu como alguma coisa.
- Por quê? Você comeu na rua, é? Otelo, você está me escondendo alguma coisa? Quem é a galinha?
- Mariana, a única galinha que eu como é a que a Dora cozinha aqui em casa. Ele pensou em dizer - E você, mas achou que aquilo acarretaria uma discussão de relacionamento não apropriada para aquele momento.
- Tá bom então. Vou sair com a Ju, a Cá e a Bia. Qualquer coisa me liga.
- Ok. Outras galinhas. Onde fui me enfiar, pensou Otelo.

Por outro lado, ele gostava de comer aquela galinha. Como ele mesmo dizia, quem gosta da mulher por causa do cérebro é zumbi. Mas ele precisava esquecer por um momento a galinha da Mariana e retomar o pensamento no reality show. Foi então que Otelo teve uma idéia:
- Já utilizaram animais em reality shows. Também já utilizaram mulheres vulgares e apelos eróticos. Agora, nunca utilizaram a combinação de um com o outro.
Otelo ligou seu notebook e redigiu um email para seu chefe, com a alegria de uma criança que acabara de descobrir que seus dedos enrugam no banho.

- Otelo, você deve estar louco!
- Não senhor Armando. Os telespectadores que estão loucos. Estão loucos por novidades. Tudo já foi mostrado na televisão em horário nobre: beijo gay, pinto, bunda, boceta, chupeta, entre outras coisas. Porém, nunca antes na história da televisão mundial foi mostrado relações de amor com animais irracionais.
- Zoofilia, não é?
- Olha chefe, não propriamente dita. Pode ser só a insinuação. Por exemplo, na prova do líder, ganha aquele que conseguir masturbar um porco e fazê-lo gozar por mais tempo. Na prova do anjo, vence quem agüentar mais bicadas de galinha nas genitais, e por ai vai.
- Você é maluco! Realmente acha que isso dará certo?
- Chefe, procure na internet por vídeos assim. Você verá que o número de acessos é muito maior que os números de vídeos pornôs convencionais. Como eu disse, tudo já foi mostrado. Agora é isso ou pedofilia.
- Credo e cruz, nem me diga esta palavra! Otelo, vamos fazer um teste. Você coloca uma prova dessas daqui dois dias, que é dia de prova do líder. Se o ibope aumentar, você continua com esta sandice até o final. Se continuar igual, você é demitido. Se cair, eu te mato. Entendido?
- Chefe, o senhor não vai se arrepender.
- Espero que nem você.

Otelo só tinha um desafio agora: convencer o patrocinador de que aquilo daria certo.
- Mas Otelo, nós somos os maiores distribuidores de frangos do país. Isso vai queimar nossa imagem.
- Claro que não. Você ainda pode criar o slogan “Nossa galinha é tão boa que dá pra comer mesmo sem fome”, o que acha?
- Preferimos não correr o risco.
- Então façamos assim: daqui dois dias, na prova do líder, vocês não divulgam a marca e eu arco com as despesas. Se o ibope subir, vocês continuam o restante do programa.
- O dobro do ibope ou nada?
- Fechado.

Eis que chega o dia da prova do líder:
- Salve salve meus grandes heróis da nave mãe!
Em uníssono, como grandes marionetes, todos respondem ao apresentador:
- Oi Pascoal, boa noite.
- Tudo pronto para a prova do líder?
- Siiiiim.
- Então bora lá pro lado de fora da casa!
Do lado de fora, camas montadas, luz baixa e pétalas de rosas. Cada cama com o nome de um participante respectivo. Ao lado da cama, gaiolas com diversos animais: galinha, cachorro, gato, cabra e porco.
- Cada um em sua cama e eu vou explicar como funciona a prova.
Cada participante já estava em seu posto, apreensivo com aquela que era uma das provas mais importantes do programa, que garantiria mais uma semana na casa.
- A prova é a seguinte: Cada um de vocês tem aí ao lado uma galinha, um cachorro, um gato, uma cabra e um porco. Você tem que escolher um desses animais para dividir a cama com vocês. Não pode deixar o animal escapar e nem trocar com o colega. Aliás, não pode ter contato algum com os outros confinados, apenas com os animais. Vale qualquer coisa para manter o animal na cama com vocês. Só não pode deixá-lo escapar. Cada vez que tocar o sinal, vocês terão que trocar de animal. Aquele que deixar o animal escapar ou tiver contato com outro participante, é desclassificado.
- Pascoal, posso fazer uma pergunta?
- Claro Dany.
- Vale qualquer coisa mesmo para manter o animal com a gente?
Risos.
- Sim Dany. Se bem que com um mulherão destes, nem o mais burro dos animais escaparia.
Mais risos.
- Então vamos começar? Ah, estava me esquecendo... Logo mais a noite teremos mais surpresas ao longo da prova. Até já!
Corta.
- Agora, vamos dar uma olhadinha?

Dany, a mais serelepe, pegou o gato. Enroscou-o em suas pernas e ficou brincando com ele. Junior, um baiano forte que dava aulas de capoeira, se arriscou com a galinha. Ju e Carol também escolheram os gatos. Nathy tentou o porco, mas não conseguiu dominar o bicho por 15 minutos e foi desclassificada. Carlão pegou o cachorro, afinal tinha um canil e seria fácil dominar o bicho, Cris apostou na cabra, que no primeiro instante já cagou na cama toda e Lucas, não muito esperto, também pegou a sua cabra que já havia cagado na jaula, mas se esqueceu que ela não sabia limpar a bunda e por isso também teve parte de sua cama suja de bosta de cabra.

A prova começou tediosa, os participantes não podiam conversar entre si e estavam brincando mudos com os animais. Apenas Dany, a mais safada de todas, deixava o gatinho arranhar sua calcinha e recriminava-o, como se o gato tivesse ciência do que fazia. Não demorou muito e o ibope do pay per view começou a subir. Foi quando Otelo disse: - É a hora.
No telão instalado no quintal da casa começou a passar vídeos de sexo explícito. Isso estava excitando os participantes. Foi quando a sirene tocou. Danny logo trocou seu gato por um cachorro que, sentindo a excitação de Danny, passou a cheirar sua boceta. Aquilo provocou tamanha excitação na moça, que não hesitou em afastar a calcinha para sentir aquele focinho gelado. Ju optou pelo porco e Carol arriscou com a galinha. Junior trocou a galinha pela cabra. Ele sabia da fama das cabras no interior, mas permaneceu discreto, como se nada tivesse acontecendo. Carlão trocou o cachorro pelo porco, Cris pegou um cachorro e Lucas apostou no gato. Foi quando o apresentador Pascoal entrou ao vivo, causando surpresa nos participantes excitados.

- E aí meus guerreiros, estão mais a vontade?
- Pascoal, essa cabra cagou na minha cama, disse Cris.
- Cris, as cabras fazem isso mesmo. Se quiser uma cama limpa é só sair da prova e entrar na casa.
- Não Pascoal, tá bom aqui.
- E você Dany, gostou mais do cachorrinho.
- Ah Pascoal, você sabe que eu gosto de um cachorro, né?
- Sei sim... Então meus queridos, a partir de agora, vale tudo. Só não vale deixar o animal escapar e nem conversar com o colega. De resto, estão liberados. Fui!

Sai Pascoal, e voltam as cenas de sexo explícito. Agora, intrigando ainda mais os participantes. Dany já tinha se acostumado com o focinho do cocker em sua boceta, e como valia tudo, ela decidiu afastar ainda mais a calcinha, deixando toda a boceta à mostra. O cachorro passou a lamber a boceta de Dany. Na velocidade em que ele cheirava e lambia aquela boceta carnuda, o ibope subia. Nisso, Junior já estava alisando a bunda da cabra. Pobre cabra! Aquele baiano de 1,95 metros tinha fama de ser bem dotado. Com uma mão ele alisava a bunda da cabra, com a outra segurava seu mastro, ainda por baixo da bermuda. Carlão também se acostumou fácil com o porco, porém segurava o pinto do porco fazendo-o gemer. E aquilo parecia que excitava Carlão, muito mais do que ver as meninas rebolando pela casa. O cachorro de Cris já estava excitado vendo aquilo. E ela, vendo aquele membro vermelho, começou a masturbar o cachorro. Lucas, tímido, só deixava o gato lamber seu dedo.

Foi quando o ibope começou a subir como nunca. 62 pontos naquele horário era um marco histórico. Otelo mal se agüentava de tanta felicidade, e teve a brilhante idéia: - Toquem a campainha ininterruptamente.

Os participantes não sabiam o que fazer. Todos queriam a liderança e o 1 milhão de reais. Colocaram todos os animais ao mesmo tempo na cama.
Era a Dany segurando a galinha e o gato, enquanto o cachorro comia o porco. E ela ainda chupava a cabra. Carlão deixou a galinha escapar, mas não foi desclassificado. Otelo queria mesmo ver o circo pegar fogo. A essa altura, Carlão já metia seu pau na cabra, segurando o gato em um braço e uma mão no pau do cachorro, enquanto o porco mandava ver. Ju e Carol tentavam ajudar uma a outra, com a certeza de já estarem desclassificas, mas o que valia era a farra. Foi quando o (in)esperado aconteceu: Cris saiu de sua cama e beijou Lucas, que comia o cachorro. Dany saiu de sua cama e levou junto o gato, que lhe lambia a boceta, enquanto ela enfiava o dedo no cu de Carlão. Junior chamou a eliminada Nathy para a festa e fez ela ficar de pernas abertas e boceta a mostra para que seu cachorro a penetrasse, enquanto ele enfiava a geba no cão. Ju e Carol já estavam em um 69 sincronizado, com os cachorros tentando de alguma forma boliná-las. Uma sodomia instaurada naquilo que era pra ser mais uma prova sem graça de liderança, no reality show.
E o ibope subia, provocando em Otelo muito mais gozo que em todos os participantes do programa juntos.

O celular de Otelo tocou. Era o Senhor Armando.
- Parabéns seu puto. Eu sabia que você era doente, mas nem tanto.
- Qualquer coisa pelo ibope, chefe,

Otelo voltou pra casa feliz. Amanhã era dia de pensar em outra novidade para o reality. Mas, por hora, ele só pensava em uma coisa: Comer sua própria galinha, a Mariana.





terça-feira, 26 de outubro de 2010

Corpo a Corpo

Um Romeu e Julieta dos novos tempos. Com menos glamour, uma família mais numerosa, formada por correligionários, mas o pano de fundo nos remete ao romance Shakesperiano.
Nilma, uma mulher forte, autoritária e viúva. Bem nascida, ingressou na política durante o Golpe Militar e tomou gosto pela coisa, se tornando referencial no país. João, um homem pacato, casado e pai de dois filhos adultos. De origem pobre, se tornou militante estudantil na década de 60, quando ingressou na faculdade. E lá a conheceu.
Viveram um romance tórrido. Entre um protesto e outro, a ditadura endurecia mesmo. Ficaram conhecidos como “casal do golpe de 69”.
Quando as coisas ficaram difíceis para os jovens políticos, ele foi para a Itália. Ela, que sempre teve uma personalidade mais forte, ficou no Brasil e acabou sendo presa. Trocaram seus nomes, perderam o contato e nunca mais se ouviu falar no “casal do golpe de 69”.
O tempo passou e, 30 anos depois, o destino deu conta de promover o reencontro, porém em lados opostos da política. Agora já era tarde: partidos rivais, líderes inimigos e ideais diferentes. Estavam tão diferentes que, a primeira vista, não se reconheceram. Porém o insensato destino guiou-os pelo caminho da eleição presidencial e promoveu o reencontro no primeiro debate em TV aberta. Nilma não acreditou no que seus olhos viam. O olhar cansado e a careca lustrosa em nada lembravam aquele jovem João de 30 anos atrás. E João, fitando os olhos naquelas ancas largas e seios fartos, não acreditava que a Nilminha que deixava a dita-dura estava ali, na sua frente. Lembraram dos tempos de militância juvenil, que sempre terminava em sexo. De companheirismo e reciprocidade política e sexual. E agora estavam ali, em lados opostos, buscando um prazer individual.
Cumprimentaram-se com um beijo seco, mais um toque de bochechas que propriamente um beijo. Afinal, o que seus companheiros de partido fariam se soubessem que eles tiveram um caso de amor? Limitaram-se ao discurso pronto, com farpas para todos os lados. Mas não deixaram de pensar um no outro, nem por um minuto. Entre uma réplica e uma tréplica, João se lembrava daquela menina rebelde rebolando no seu pau e gritando palavras de ordem. Nilma era uma porra-louca mesmo, ele sabia disso. Da mesma forma que era politicamente ativa, o era no sexo. Ela tomava as decisões e manuseava seu pau como ninguém. Assim como protestava altivamente no microfone, chupava com maestria o microfone de João. Ele, meio tímido, mas não menos ativo, também gostava de dominar a situação. Puxava Nilma pelos cabelos para trás de qualquer palanque e fodia intensamente, como se aliviasse ali sua revolta com o sistema.
E agora estavam frente a frente, sem poder se tocar. João mal conseguia se concentrar nas perguntas e, antes do final do primeiro bloco do debate, já estava com seu membro rijo, em ponto de bala. Nilma lançava-lhe um olhar perverso, que ele conhecia muito bem, e o instigava cada vez mais. As respostas começaram a sair desconexas, os membros dos partidos não entendiam como aquele debate tinha descambado para assuntos pessoais e fora do contexto. Nilma sabia bem como provocar João, só não sabia que o tempo fora do país o tinha tornado um homem mais selvagem que aquele garoto de trinta anos atrás. Foi quando no terceiro bloco de perguntas, o inacreditável aconteceu. Cada candidato faria uma pergunta com tema livre. Trinta segundos para a pergunta, um minuto e meio para a resposta, um minuto para réplica e um minuto para a tréplica. Segundo sorteio realizado, João começaria perguntando:
- Nilma, em um minuto e meio, você é capaz de me fazer gozar como antes?
Todos estarrecidos na bancada. O cronômetro zerou os trinta segundos. Contagem regressiva para um minuto e meio. Nilma, com toda sua classe, chegou à frente de João, baixou suas calças e começou a chupar com maestria. A platéia se calou. Nilma lambia, enchia a boca e largava rápido, olhando para o cronômetro. Zerado o um minuto e meio, João confessou que a candidata quase cumpriu seu papel, mas era hora da réplica. João colocou-a de quatro na bancada e começou a comê-la ali. Puxava seu cabelo e enfiava com força, como não fazia há tempos. Na hora da tréplica, Nilma se lembrou de como eram conhecidos na época da Ditadura: “Casal do Golpe 69”. Um minuto de meia nove e um país inteiro estarrecido.

A emissora de televisão saiu do ar e ambos foram expulsos dos partidos, não por terem fodido em rede aberta, mas por se esquecerem que era pra ter fodido com o povo Brasileiro.

sábado, 12 de junho de 2010

Dois em Um

Só de pensar que conheci o Lucas em um chat, mesmo eu não sendo adepta a entrar nessas coisas, me faz acreditar cada dia mais que é coisa do destino. Entediada e sem dinheiro, num fim de semana chuvoso, e lá estava ele com o Nick “grudado em você”. Começamos a conversar sobre futilidades e vimos que tínhamos muita coisa em comum.
Faz mais de seis meses que nos falamos, seja por MSN, Orkut, SMS e raras vezes por telefone. O ruim de falar com ele por telefone é que ele tem um irmão muito, mas muito mala que fica gritando ao fundo. Aliás, não entendo bem essa relação dele com o irmão. Parece-me que eles são muito unidos, são gêmeos, mas o irmão é completamente diferente. Se chama Matheus. Um cara excêntrico, pelo que Lucas diz, mas ele não fala mal diretamente. Deixa as coisas um meio subentendidas.
Lucas é doce, atencioso, gosta de literatura, cinema e diz coisas coesas. Só é muito tímido. Sabe, em seis meses de conversa ele nunca me chamou pra sair. Eu tive que insistir muito para que a gente se conhecesse. E até hoje ele me mandou uma única foto, 3x4. Ele é lindo. Nunca cobrei uma foto de corpo inteiro, mas acho que já estou apaixonada e nada fará eu deixar de gostar dele, mesmo que ele tenha uma barriga enorme, ou pés chatos, ou talvez não tenha uma das pernas.Enfim, acho que encontrei minha cara metade.

- Eu conheço essa história de cabo a rabo! Tome cuidado, Luana. Você sabe muito bem que, hoje em dia, os loucos estão por ai na internet, se fazendo de bonzinhos. São lobos em pele de cordeiro. Ontem mesmo passou no jornal o caso da moça que foi conhecer o namorado virtual de 3 anos, três anos de namoro virtual, imagine. E ele matou a coitada estrangulada, cortou os pedaços com um canivete e colocou dentro de um saco de dormir, ainda mandou para os pais pelo correio.
- Credo e cruz, Cris. Deus é mais!
- Sério, tome muito cuidado com essas coisas. Além disso, tem aquela conversa do irmão dele, que é estranho... Aliás, o irmão dele vai?
- Não tive coragem de perguntar, Cris. Pelo que ele me disse, eu acho que sim. Eles são muito unidos mesmo. Aquela estória lá que o irmão dele freqüenta orgias e tem práticas sexuais incomuns, não sei viu, me deixou com a pulga atrás da orelha. Apesar do Lucas abominar essas coisas que o irmão dele faz.
- Então Lu. Vai que são dois maníacos sexuais. Quer que eu vá junto?
- Não Cris, obrigada. Acho que é um momento meu. Nunca estive tão apaixonada. E se o irmão dele não for, melhor pra gente né? Eu tiro aquela timidez em cinco minutos.
- É nem adianta eu ir, o irmão dele é gay, né?
- Bissexual, Cris.
- Mas dá a bunda. Logo, é viado.
- Cris... que coisa! Ele me contou que o irmão dele gosta sim de dar a bunda, mas isso num ménage a trois. Ou seja, o irmão dele também come.
- E se a gente chamasse os dois pra uma festinha?
- Não começa, Cris. Você sabe muito bem que a gente faz festinha sempre, mas não com meu príncipe. Você vai ser sempre a minha gostosa. Sempre. Mas ele pode ser o homem da minha vida, o pai dos meus filhos.
- Então vem aqui um pouquinho pra sua gostosa, seu príncipe nem vai perceber. Tá cheirosa gatinha, to ficando com ciúme.
- Só um pouquinho vai. E lambe tudo porque daqui cinco minutos eu to saindo.


***


- Tchau princesa, qualquer coisa me ligue.
Não sei ao certo o que acontece, mas estou realmente apaixonada. Se fosse só sexo eu ficaria com a Cris. Moramos juntas há três anos, desde que vim pra esta cidade e ela é melhor do que muito homem. Mas o Lucas é diferente e, além disso, a gente tem que ter um namorado pra apresentar a família.
Estou tão ansiosa que cheguei uma hora antes do combinado.
- Cris, cheguei no shopping. Liguei pro Lucas e o mala do irmão dele tava falando, acho que vem junto.
- Quer que eu vá ai, Lu?
- Não amiga. Vai que o irmão dele se toca e sai né? Mas poxa, ele disse que era muito unido ao irmão, não pensei que fosse tanto.
- Vai ver rola um incesto ali.
- Cris...
- Tá bom, nem falo nada. Bom encontro pra você.
- Acho que são eles vindo ali, beijinho.


***

- Oi.
- Ois.
- Então Lu, tudo bem com você?
- Não. Quer dizer, sim. Quer dizer, não sei.
- Esse é meu irmão, Matheus.
- Então essa é a gostosa? Prazer, Matheus seu criado.
- Matheus, cale a boca.
- Olha Lucas, acho melhor a gente conversar outro dia. Hoje não estou muito bem, não sei ao certo.
- Desculpe Lu. É sempre assim. Por isso não gosto de conhecer as pessoas.
- Entendo.
- Entende porra nenhuma! Tá ai toda assustada com a gente. É mais uma vaca.
- Matheus, cale a boca.
- Não Lucas, essas putinhas são todas iguais. Querem dar pra você e ficam todas assustada, só porque somos siameses, porra!
- Olha Lucas, eu vou embora. A gente se fala outro dia.
- Lu, espere. Eu te amo.
- Ama nada, metade do coração é meu. Ele só quer te comer, gatinha. Eu vejo quando ele vê suas fotos e fica se masturbando, e com a minha mão. E a outra enfiando no cu. Porque você sabe né, eu sou bi, mas nós temos um cu só. Logo, meu irmão também gosta de levar na bundinha, assume po!
- Pra mim chega. Tchau Lucas, Matheus, seja lá o que vocês forem.

***


- Já chegou?
- Cris,me abrace.
- O que aconteceu?
- Me abrace, forte. E promete pra mim que nunca vai se grudar em mais ninguém.
- Prometo.

***

- Lu, você leu o jornal essa manhã?
- Ainda não, o que está escrito?
- Uma notícia bizarra: “Gêmeo siamês dá um tiro na cabeça do irmão, e depois se mata”. Que coisa mais tosca. E se chamavam Lucas e Matheus.
- Cris, me abrace. Forte.

Por Liliane Akamine

domingo, 18 de abril de 2010

As pernas do Roberto

Ana é uma mulher como tantas outras. Moradora da periferia paulistana, trabalha como doméstica e é apaixonada pelo Roberto Carlos. Seu sonho é ver de perto as pernas dele. A tietagem virou idolatria, a idolatria virou obsessão e Ana passou a perseguir Roberto Carlos onde quer que ele estivesse. Se soubesse que ele desembarcaria em São Paulo, lá estava Ana um dia antes aguardando ansiosamente. E, quando via de longe o tumulto que indicava a presença de seu muso inspirador, Ana gritava: “Roberto, mostre as pernas!”

João é um homem como tantos outros. Morador da periferia paulistana, trabalha como pedreiro e é apaixonado por futebol. E por mulheres. Seu sonho é encontrar uma mulher para chamar de patroa. Boa praça que é, João é muito conhecido e respeitado na região de Heliópolis e é este conhecimento que gera a maior parte de seu sustento, pela indicação de conhecidos. Em uma dessas indicações João foi chamado para auxiliar na reforma de uma mansão no Morumbi. Mas não era qualquer mansão, e sim a mansão do jogador Roberto Carlos.

João trabalhava muito feliz e ganhava mais do que de costume. Aos finais de semana, João freqüentava o forró Ás de Ouro e em uma dessas idas conheceu uma bela morena que dançava o Arrocha na pista:

- Oi buniteza, qual sua graça?
- Ana. Disse ela, abrindo um sorriso sincero.
- João, seu criado. Nunca te vi por essas bandas.
- É que trabalho bastante. Sou doméstica e só dá pra mim vim uma vez por mês, cê sabe né?
- Ah, tendeu. Eu sou mestre. De obras. Trabalho na mansão do Roberto. Roberto Carlos, né, mas não gosto de ficar assim me gabando.

Neste momento os olhos de Ana brilharam e ela teve a reação mais nonsense de sua vida. Virou-se para João e disse: - Eu te amo.
João, sem entender, só teve tempo de agarrar a dama pela cintura e levar até o toillete. Lá ele só se deu ao trabalho de abrir sua braguilha e sentar no vaso. Ana já havia tirado a calcinha por baixo da saia e sentou com força naquele membro rijo, fazendo movimentos frenéticos, talvez excitada por ter ouvido o nome de Roberto Carlos. Os gritos de gozo foram abafados pela banda de forró que gritava no palco e em menos de dez minutos eles já estavam de volta à pista, aos abraços e beijos.

Os dias foram passando e o casal estava cada vez mais apaixonado. Eles se encontravam às sete da noite todos os dias, em frente ao boteco do Bigode e lá João contava como tinha sido seu dia na mansão de Roberto e dava detalhes da casa, enquanto Ana se imaginava lá dentro, com o próprio Roberto Carlos. A conversa sempre acabava em sexo, onde quer que fosse. Um tesão incontrolável tomava o corpo de Ana e ela nem esperava chegar em casa, já começava a se esfregar em João no meio da rua. Certa vez, de tão excitada que estava, Ana chupou João dentro do ônibus, no último banco. João percebeu que o cobrador viu e nunca mais deixou Ana andar sozinha naquela linha.
Próximo a completar um mês de namoro, João queria fazer uma surpresa a Ana. Queria algo grandioso, que marcasse aquela data e mostrasse a ela o quanto ele desejava tê-la como “patroa”.

João teve uma idéia: apresentar Ana a Roberto Carlos. Mas como? Não queria que o chefe percebesse que ele era um paga pau dele, pois pegaria mal. Também não queria comprometer seu trabalho, afinal faltava menos de um mês pra ele receber a outra metade do dinheiro da reforma. João passou uma noite em claro, pensando em como presentear sua amada e teve uma idéia. Ligou logo cedo pra Ana:

- Coração, sábado a gente faz um mês junto né? Vou te levar num lugar que você nunca vai esquecer.

Chegado o grande dia. Às seis e meia, João pegaria Ana em frente o boteco do Bigode. Era sábado e João trabalharia até o meio-dia. Naquele dia Roberto Carlos chegaria cedo dos treinos, pois não jogaria no final de semana. João terminou seu trabalho, tomou banho e deu início ao plano mais bizarro já arquitetado por um apaixonado. Ele sabia que aos sábados, depois que ele e seu colega pedreiro saíam, as únicas pessoas que permaneciam na casa era o segurança, a cozinheira e dois cachorros enormes, além do próprio Roberto. João começou rendendo o segurança com uma gravata, e como o mesmo reagiu, não teve outro jeito: João feriu o homem com uma facada nas costas. Os cachorros começaram a latir e logo João teve que dar um fim neles também. Faltava a cozinheira. João foi até as dependências dos empregados e Dona Célia estava tomando banho, aí foi moleza. Em poucos minutos o corpo da senhora de quarenta e poucos anos fazia companhia ao do segurança.

João ainda aguardou na guarita e, quando Roberto Carlos chegou, fez questão de abrir o portão automático. Logo foi até ele e, com uma punhalada, o deixou desacordado, o que permitiu que João o levasse até o quarto e o algemasse na cama.

Seis e meia e João estava no boteco do Bigode, esperando sua amada. Ana chegou perfumada e com o batom vermelho que comprara especialmente para aquela ocasião. João fez questão de ir de taxi até o local da surpresa. Quando chegou à mansão, João vendou os olhos de Ana e a guiou até o quarto de Roberto Carlos, onde o mesmo estava algemado na cama. A intenção de João era que sua amada conhecesse o ídolo e ficasse tão excitada que fizesse qualquer coisa por ele naquela noite.

Quando entraram no quarto, João tirou a venda dos olhos de Ana. E lá estava a cena: João querendo impressionar sua amada, Roberto Carlos amordaçado e algemado na cama, e Ana estarrecida.

- Quem é este careca, bem?
- Ué coração, seu ídolo, Roberto Carlos. Esta é a surpresa: eu, você e o Roberto olhando a gente se amar. E eu deixo você sentar na perna dele viu? Hoje a noite é sua.
- Não, bem, você não entende. Eu não sei quem é esse careca. Olha meu senhor, peço desculpas pelo acontecido. Meu sonho é sentar na perna do Roberto Carlos, o rei, o cantor.
- O cantor?? Porra, Ana, ele tem perna mecânica! Você sabe o que eu fiz pra te fazer essa surpresa?
- Desculpa bem, mas você nunca me perguntou. E sinceramente, eu nunca vi esse careca aí, nem sei se ele sabe cantar “As Curvas de Santos”.
- E esse careca aqui, você viu? Disse João, tirando o pau pela braguilha e balançando.
- Esse careca aí eu conheço, conheço bem. Nunca vi cantando,mas o dono dele sempre me canta.
- Então vem dançar pra ele, minha gostosa.
Ana e João começaram a se esfregar ali, no quarto de Roberto Carlos, enquanto o jogador permanecia algemado e amordaçado na cama. E Ana disse:
- É “seo” careca, é assim, o côncavo e o convexo, nosso amor no sexo.


Por Liliane Akamine

domingo, 17 de janeiro de 2010

Vão-se os dedos, ficam os anéis

Era pra ser uma relação estável. Sabe quando você chega naquele estágio que um completa a frase do outro? E que você nem precisa dizer algo, pois ele já sabe o que você quer falar? Bem, minha relação com o Fernando era assim. Éramos como almas gêmeas, unha e carne, tampa e panela, chinelo velho e pé cansado, cu e cueca. Dois anos de relacionamento sem enjoar um único dia. Um entendia quando o outro queria uma relação mais melosa, ou mais apimentada. Dividíamos nossas fantasias, por mais estranhas que pudessem parecer. Tudo com o maior respeito e cumplicidade.

Um dia Fernando começou a agir de forma estranha. Estávamos no auge da relação sexual, ele por cima de mim, bombando com força e minhas pernas entrelaçadas sobre suas costas, quando ele disse: “- Aperte minha bunda. Aperte forte, mais, abre...” Fiz o que ele pediu e ele gozou aos urros, como nunca.

Depois deste dia ele pedia cada vez mais: “- Aperta, abre, arranha, bate na minha bunda...” E eu fazia, só pra vê-lo gozando com gosto.
Certa vez, depois de transarmos, estávamos deitados abraçados e nos beijando, quando ele foi direcionando minha mão até a sua bunda. Como eu já sabia o que ele queria, comecei a apertar cada vez mais forte. E quando mais forte eu apertava, mais gostoso ficava o beijo. E Fernando cada vez mais tesudo. Já podia sentir seu pau crescendo entre minhas coxas, mesmo ele já tendo gozado três vezes naquela noite.
Fernando empurrava minha mão cada vez mais até sua bunda, até que comecei a passar o dedo em seu cuzinho. Ele começou a gemer mais, já dava pra sentir seu pau latejando. Ele ficou louco de tesão e me comeu como não havia comido até aquele dia. Uma experiência incrível.

O tempo foi passando e aquela brincadeira começou a me preocupar. Fernando pedia que eu colocasse o dedo cada vez mais fundo, até enfiar completamente. Depois ele me comia com força, de quatro e gozava nas minhas costas, do jeito que eu gostava. Então ele passou a pedir dois dedos e a ficar de quatro, e quando estava bem excitado, ele me comia, mas gozava rápido. Até que um dia me vi enfiando três dedos no meu namorado, enquanto ele rebolava.
Como pode? Aquele homem viril tinha se tornado uma putinha! Onde foi que eu errei?
Não era a primeira vez que tinha feito fio terra em alguém, mas uma coisa é fazer isso numa transa casual, a outra é penetrar o homem que você ama, aquele que você quer que seja pai de seus filhos.

Passei a ficar neurótica. Arranquei todos os fios-terra dos aparelhos eletrônicos de casa, tinha sonhos estranhos como chegar em casa e ver meu namorado usando minhas calcinhas ou sendo enrabado por outro cara. Até quando ouvia o presidente falar em inclusão digital eu sentia um mal estar. Mas nunca deixei Fernando perceber isso, afinal era o homem que eu amava. Um dia não agüentei. Estava em casa fazendo o jantar e Fernando me ligou. Perguntou o que eu estava fazendo, e respondi que estava cortando cenouras. Ele disse: "- Hummm... que delicia." Aquilo foi a gota d´agua. Pedi a ele que passasse em casa naquela noite, para conversarmos, e ele disse que estava ocupado com alguns relatórios de trabalho, e acrescentou: “- Só se for rapidinho, dois dedinhos de prosa...”. Meu sangue ferveu, minha boca começou a espumar e desliguei o telefone na cara dele.

Fernando chegou até minha casa, tocou a campainha e não abri. Eu estava desmaiada no chão ensangüentado. Havia cortado minha mão direita com a faca de cozinha, afinal se não fossem os malditos dedos no cu de Fernando nossa relação continuaria normal.
Fernando chamou o SAMU e fugiu, com medo que a culpa recaísse sobre ele.

Disse aos médicos que tentei me suicidar, porque meu namorado fugiu com outra. O hospital me recomendou uma psicóloga. Passei a fazer terapia com a Dra Fernanda, que se tornou mais que uma amiga. Tornou-se minha namorada.

Hoje fazemos um ano de namoro. Nossa relação é de cumplicidade e muito sexo. Os dedos de Fernanda são maravilhosos e eu consigo trabalhar bem com a mão esquerda. E quando quero agradar, penetro-a com meu cotoco.

Há males que vem para bem.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Boas Festas

Três contos curtos, no clima de festividades de final de ano. Boas festas e boas entradas a todos!

O Néctar da Virgem

Poliana era tímida ao extremo. Nunca namorou, não gostava de ficar com os meninos, não ia a baladas e sofria de baixa estima. Poliana se apaixonou por Matheus e teve de ceder. Começaram então a namorar, ela com 17 anos e ele 18.
Matheus era um bom menino. Estudioso, trabalhador, porém como todo menino de sua idade, estava com os hormônios a mil. E Poliana relutava as carícias mais íntimas. Matheus tentou de tudo: beijos no pescoço, carícias nos seios (que eram repudiadas), beijos mais longos, escapadas de mão pelo corpo de Poliana, mas ela não cedia. E por mais carinhoso e amável que Matheus fosse, não adiantava. Poliana era menina virgem, sentia-se insegura com seu corpo.
Um dia Matheus deu o ultimato: “- Ou elevamos nosso grau de intimidade, ou partirei para outra”. Claro que aquilo não era verdade, Matheus amava Poliana. Mas ele precisava suprir suas necessidades.
Era noite de Natal. Eles combinaram de sair após a ceia, para namorarem a sós. Poliana foi tomar banho e se depilar. Decidiu então se masturbar em frente o espelho do banheiro, para saber como ficaria sua cara na hora da transa. Apoiou-se na pia do banheiro, debruçando sobre ela e olhando para trás para ter a visão de sua boceta, afinal ela sabia que os homens gostam de pegar por trás. Acariciava seu corpo e se debruçava cada vez mais, até seus seios tocarem o mármore frio da pia. E ficou ali, esfregando seu clitóris e fazendo caras e bocas para o espelho. Pela primeira vez Poliana sentia aquele líquido escorrendo entre seus dedos. Colocou os dedos na boca, verificou cheiro e gosto e tudo estava aparentemente certo. Poliana se banhou, se depilou, colocou sua melhor lingerie e esperou por Matheus.
Logo após a ceia, eles saíram no carro do pai de Matheus. Poliana estava tão nervosa que suava frio, passava mal e Matheus tentava fazer aquilo parecer natural.
Encostaram o carro num lugar deserto. Matheus não parava de acariciar a boceta de Poliana, que ainda estava nervosa com aquilo. Ele decidiu ser bruto. Agarrou Poliana com força, tirou sua calcinha e caiu de boca naquele lugar ainda não explorado por homem algum. Poliana, apesar de gostar da sensação, ainda estava se sentindo mal. Mas Matheus não parava. Ele deitou o banco do carro, abaixou suas calças e puxou a cabeça de Poliana até o seu membro. Poliana chupava desajeitada, com nojo daquilo. E continuava suando frio.
Matheus percebeu que poderia gozar a qualquer momento. Levantou a cabeça de Poliana e segurou-a pela cintura com força, fazendo-a sentar em seu pau, que estava duro como nunca. Poliana sentiu dor. Ela queria sumir dali. Matheus estava extasiado com tudo aquilo e forçava a menina a subir e descer, num vai-vem frenético. Poliana não agüentou. Por mais que amasse Matheus, não conseguia segurar aquilo, e acabou acontecendo. Poliana se cagou.
Não só se cagou, mas cagou no pau de Matheus. Fezes líquidas, jatos quentes de bosta que jorravam de seu ânus, tão desejado por Matheus.
Poliana estava nervosa. Por mais que quisesse se segurar, sair dali ou tomar alguma atitude, quanto mais ela queria se esquivar, mais merda vinha. Ela começou a chorar descontrolada.
Matheus abraçou Poliana. Para a surpresa de Poliana, Matheus tinha fetiches engraçados e um deles era chuva-negra. Eles se beijaram e meteram a madrugada inteira, dentro do carro todo cagado. Matheus penetrou aquele cu, quente e umedecido pela bosta.
Poliana e Matheus continuaram juntos, se casaram e toda vez que estão no meio da foda, Matheus diz: Amor, cague em mim. Cague.

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Noite Feliz

Ela deixou a meia na janela. A meia luz. Aguardou seu presente sozinha, com uma garrafa de vinho na mão e a lareira como testemunha. O calor era infernal, quente como o chão de Cuiabá, mas ela acreditou que a lareira daria um toque de realismo e atrairia o bom velhinho.
Chegou seu presente. Não se sabe como ele entrou, isso pouco importava. Alto, forte, abdôme definido e cara de safado: tudo que era necessário para aquela noite ser feliz. Sem dizer uma palavra, ele ajudou-a a esvaziar a garrafa de vinho e entre um gole e outro, beijos avassaladores, seguidos de muita luxúria. Já não se sabia se o calor vinha da lareira, do vinho ou dos corpos que não se separavam, num vai-vem frenético. E apesar de não ter feito a tradicional ceia de natal, o frango assado estava delicioso. Já não importava se era um estranho ou se o bom velhinho realmente havia se lembrado dela. O importante naquela hora era aproveitar toda aquela voracidade do rapaz, que a devorava como um macho dominante de verdade.
Ela cochilou no sofá com o corpo suado, melado de uma noite cheia de sexo selvagem. Acordou e estava se masturbando com o pinheiro e duas bolinhas da árvore enfiadas no ânus. O bom velhinho não havia passado por lá.
Ainda bem que havia mais vinho na geladeira.

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Dando aos pobres

Ah o espírito natalino! As ruas decoradas, luzinhas piscantes, caixinhas de natal, gestos solidários... Nada é mais lindo neste mundo!
Hoje decidi fazer uma boa ação: alegrar o Natal de um morador de rua. Porque as pessoas que estão num patamar (bem) mais baixo, também merecem uma noite feliz. Dar o que comer é tão démodé.
Pense na carência dessas pessoas. Moradores de rua sequer têm um quarto ou banheiro para bater aquela punhetinha gostosa, onde você senta na mão pra ela adormecer e goza pensando que outra pessoa está lhe tocando. Depois tomar um banho demorado e dorme nu.
Sim, vou dar para um mendigo. Vou escolher aquele mais barbudo, dos calcanhares grossos e negros, unhas sujas e cabelo com bolinhas de cobertor. Claro, tem que ter no máximo quarenta anos. Se bem que é difícil adivinhar a idade dessas pessoas sofridas, mas não pode ser um senhor de idade avançada. Mendigo velho só quer saber de pinga.
Coloquei um vestido preto curto, sobre uma lingerie vermelha, sandálias de amarrar na perna e maquiagem pesada. Fui em busca do escolhido.
Andando pelas calçadas do centro da cidade só encontrei garotos viciados em cola. Até que avistei meu macho sentando na escadaria da igreja, conversando com um cão vira lata.
Pele escura, descalço, cabelos encaracolados pela sujeira, barbudo, mãos grandes e roupas sujas. Era ele mesmo. Me aproximei do alvo oferecendo um cigarro. Todo morador de rua fuma. Ele aceitou. Não falava coisa com coisa, acho que a rua o deixou débil, ou já era antes, não sei. O que sei é que aquele cheiro de comida azeda e aquela voz rouca me deixavam excitadíssima.
Convidei-o para jantar e levei a um hotel, desses do centro que não pedem documentos na porta. Pedi dois lanches e algumas cervejas. O homem estranhou o fato de estarmos num quarto, mas como ofereci comida isso pouco importava. E eu também não queria muito diálogo. Sentei no colo dele e beijei aquela boca encoberta pela barba crespa e suja. Despertei um monstro.
Sua língua áspera explorava meio sem jeito minha boca. Arranquei o vestido e o sutiã e ele sugava meus seios desesperadamente, como se aquilo fosse alimentá-lo. E eu enroscava meus dedos em seus cabelos embaraçados. Tirei aquela roupa suja que ele trajava e vi seu membro pulsando, peludo e ensebado. Não quis saber de nojo ou pudor. Suguei com maestria aquele pau grande e asqueroso. Ele gritava. Não sei o que cheirava pior, se era o pinto ou a boca. Mas também não me importava.
Tirei a calcinha e sentei de uma vez, num encaixe perfeito. Cavalguei como louca. E ele parecia não acreditar. Teve um orgasmo duplo.
Paramos para o lanche. O homem comeu em menos de cinco minutos os dois lanches, tomou uma cerveja e estava pronto para outra. Colocou-me de quatro na cama e sem cerimônias me penetrou por trás. Comeu meu cu feito louco. A cada estocada era um palavrão, nada que me ofendesse, mas era engraçada aquela reação. Gozamos como dois animais.
Para nossa surpresa não havia água no hotel. Saímos de lá sem tomar banho. Ele voltou para a escadaria e eu voltei para casa, feliz por ter realizado uma boa ação.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Das fantasias de cada um

Nunca tive uma postura vulgar. Sou uma mulher culta. E sempre tive inteligência acima da média. Gosto de leitura, poesia, teatro e tenho pensamento crítico. Sei falar de política também. Gostar de sexo, mesmo que seja muito, nunca fez de mim uma puta.

Sexo pra mim sempre foi lugar-comum. Minha mãe falava abertamente comigo, muito antes de eu me tornar “mocinha”. Minha irmã, sete anos mais velha, expunha de maneira lúdica assuntos como menstruação, reprodução, beijo de língua, entre outros. E eu, sempre muito precoce, não só entendia como queria cada vez mais experimentar aquelas sensações. Aos 11 anos de idade menstruei. Aos 11 também comecei a descobrir os prazeres da masturbação, inclusive através de estimulações anais. Não demorou muito para que eu começasse a experimentas as sensações oferecidas pelo sexo oposto, iniciando pela felação até, finalmente, ser desvirginada aos 15 anos. De lá pra cá experimentei de tudo. Não tive mais pudores quanto ao sexo, salvo algumas exceções. Gosto de sexo viscoso, de troca de fluidos. Gosto de sexo selvagem, quente, bruto. Gosto de transar menstruada, de me sentir dominada por um sujeito viril, que me faça escrava a seu bel prazer. Já experimentei todos os tipos de relações, com todos os tipos de pessoas, muitas delas ao mesmo tempo. Inúmeras vezes me vi sorvendo um membro com toda destreza, enquanto outro me penetrava com volúpia. E, como boa hedonista, me sentia realizada. Sempre quis mais, sempre tive mais.

E no meio desta vida regada a orgias e troca de líquidos, eu o conheci. Tínhamos um amigo em comum, um dos poucos amigos com quem eu ainda não havia me deitado. Um amigo do meu lado culto, não do lado devassa. E ele era lindo. Desde o momento que o fitei, senti um enorme desejo carnal, uma vontade louca de me entregar por completo, deixá-lo explorar todos os lugares do meu corpo e me penetrar de todas as formas possíveis. Porém, o rapaz em questão era virgem. E tímido. Como me entregar para uma pessoa assim, sem parecer vulgar? Pois o segredo das mulheres que gostam de sexo está em não expor isso rotineiramente, ou seja, sua postura no dia a dia não pode ter algo a ver com seu desempenho na cama. Mesmo que déssemos alguns beijinhos freqüentemente, eu precisava guiar sua mão até meu seio para que ele avançasse o sinal, e mesmo assim não era um grande avanço. O máximo que consegui até então foi lamber seu membro. Sim, ele tinha ejaculação precoce e antes mesmo que eu o abocanhasse inteiro, senti aquela viscosidade em minha boca. Um misto de frustração e sensação de incompetência.

Até que um dia conversamos abertamente. Perguntei se eu não o agradava, se ele não me desejava ou se poderia melhorar eu algo, e ele me confidenciou que tinha uma fantasia. Aquilo me deixou excitadíssima. Contive minha euforia e procurei explorar um pouco o assunto. Ele me disse que era complicado, pois achava que nenhuma mulher aceitaria, e tentei mostrar-me o mais compreensiva possível, rezando apenas para não se tratar de zoofilia ou sexo escatológico. Conversamos a semana inteira a respeito do assunto e resolvi pedir que ele me contasse qual era a fantasia, para que pudéssemos realizá-la junto. Assim eu me sentiria mais confiante e ele teria muito mais prazer. Ele achou por bem não me contar, mas consentiu em realizá-la comigo no final de semana. E eu não agüentava mais de excitação.

Ele chegou a minha casa com uma mala de viagem. Percebi que a fantasia em si era realmente uma fantasia, que necessitava de apetrechos. Sentia-me eufórica, excitada, completamente molhada. Ele tímido, parecia se arrepender de ter me contado. Eu não via a hora de descobrir qual era a tal fantasia. Ele vendou meus olhos com muita delicadeza, me deu um beijo terno e me agradeceu. E eu só pensava em tirar aquela venda e descobrir a tal fantasia secreta. Já sentia meu prazer escorrendo por minhas pernas. Não lembro quanto tempo levou, mas enfim ele chegou perto de mim. Senti seu corpo quente, em seguida sua boca subindo por minhas pernas e enfim sua língua de encontro a minha. Um beijo forte, que ele nunca havia me dado. Ele tirou a venda.

Para minha surpresa, ele não estava mais lá. Estava ali comigo Saint Seiya, dos Cavaleiros do Zodíaco. Contive o riso, fiquei de quatro com o rosto abaixado, quase enfiado no travesseiro e pedi para que Saint Seiya depositasse em mim toda a cólera do dragão (sim, eu confundi os personagens e fui corrigida por ele). Ele parecia gostar daquilo, demorou mais para gozar, cerca de cinco minutos. E no ápice da penetração, ele trocou o gemido por um grito excêntrico: “Me dê sua força, Pegasuuuuuus...” e caiu de lado, desfacelido. Ao acordar ele me agradeceu. Fiquei feliz por realizar sua fantasia, mais feliz ainda por descobrir que eu o amo, mesmo com essa esquisitice.

Esta noite eu serei a Pucca e ele o Garu.